O Périplo de Rayzeel


Esta cópia foi encontrada pelo Ex-Xerife e atual Conselheiro Rolf dos Brujah por ocasião da sua investigação do desaparecimento da Príncipe Dana. Não se tinha notícias de qualquer escrito no século 20 de Mestre Afonso e este parece ter sido seu último antes de sua queda e degradação completa. Sabe-se que o Toreador mal conseguiu terminar seu projeto de Léxico no Século 19, pois algo em meados daquela época realmente tirou sua vontade de escrever, portanto o que se tem aqui nas mãos é algo rarissimo de ver.


O Xerife levou a cópia deste livro para a Reunião do Conselho da Rosa Sombria na mesma noite do Réquiem para o Conselheiro Nascimento… De alguma forma que não está totalmente clara, alguém conseguiu copiar todo o texto deste livro e enviar para alguns poucos Nodistas pelo mundo. Meses depois o Red Question hackeou um desses e-mails agora ele circula livre pela SchreckNET 2.0, apesar dela estar notoriamente comprometida e também apesar de todos os esforços de alguns Arcontes e dos Dráculas Digitais em apagar o arquivo. Seu personagem pode ter recebido esse documento ou algum usuário conhecido dele pode ter lhe mostrado, mas saiba que, ao fazê-lo, estará sob sua própria conta e risco…


"Este é o Périplo de Rayzeel, gravado numa estela votiva (um ex-voto) no templo de Ba’al Hammon, em Cartago, na língua da primeira cidade, vulgar (e erroneamente) chamado de “enoquiano”. Ba’al Hammon (ou Baal), o “Senhor das Estrelas”, era a principal divindade cartaginesa (nas traduções do Periplus aparece referido, por aculturação, como Cronos ou Saturno, como é conhecido entre gregos e romanos sucessivamente).

Quando os romanos arrasaram aquela cidade, no término da Terceira Guerra Púnica, influenciados pelos Cainitas da Pax Vampirica Romana, a estela foi totalmente destruída, mas não sem que antes fosse copiada. Porém, diferente do famoso Périplo de Hanno, do qual foram feitas milhões de cópias sucessivas pelos mortais, existem apenas vinte e seis cópias da estela desse Periplus, em grego, que sobreviveram até as nossas noites. O conteúdo dessas cópias, contudo, aparecem em múltiplas citações e elaborações das tradições orais e escritas dos Fanáticos Brujah Medievais (antes do clã se degenerar e perder sua erudição, deixando de serem reis filósofos para virarem apenas “a ralé”).


O texto original do Periplus Rayzeelis não sobreviveu. As pouquíssimas cópias conhecidas mais antigas, de origem grega e bizantina, são os manuscritos Palatinus Menelennus de 348 (atualmente em posse do Ancião Critias, em Chicago) e Vatopedinus Noctre de 615 (parte em posse do Monarca Mithras em Londres e parte em posse do Monarca Villon em Paris). É a partir destas cópias, e das múltiplas referências dos autores clássicos, que o texto foi reconstituído pela Brujah Lilika Kairos, e revisado pelo Ancião Toreador Padre Jean Marc D’Harfleur, que, juntamente com o Ancião Ventrue Sir Gilbert D’Harfleur e o Ancião Arconte Praetor Nosferatu Frederico diPádua (são os notórios Membros da mítica coterie Filhos de Issac, famosos por estarem presentes na Convenção dos espinhos como Mirmidões dos Fundadores da Camarilla e portanto longos estudantes da Cultura dos Membros).

O texto reconstituído desse Periplus consta apenas de um parágrafo e reconta, de forma linear e cronológica, o macabro rito de Baal onde humanos cartagineses eram “por livre escolha” sacrificados a Ba’al Hammon (ou Baal), a principal divindade cartaginesa. E onde Cainitas eram devidamente diablerizados como parte do Rito por outros Cainitas, enquanto outros tantos apenas assistiam.

A primeira edição moderna do Periplus de Rayzeel apareceu em Malta em 1524, como apêndice à edição da obra de Arriani por Ionntus. Estive com ela em mãos, por ocasião de seu surgimento, não sem dever vários favores por isso, inclusive para meu próprio Sire. Esta edição foi seguida por outras, em Estrasburgo (1641), Leyden (1654) e Londres (1777), todas que tive acesso, tornando-se, dado o crescente interesse pelo nodismo, numa das obras secretas mais comentadas da história oculta Cainita...


Texto do Periplus Rayzeelis O texto integral da versão conhecida do Périplo de Rayzeel, partir da versão inglesa, é o seguinte

(o nome dos lugares foi deixado na grafia greco-latina ou inglesa):


  1. Time and time gain Meleneus had warned them, as he made his way to Ramata in the interior of the continent, that the Baali had proven themselves to be far more manipulative than originally imagined. They gained a stranglehold over the populace through their infernal rights of sacrifice. Moloch placed himself as a god above all others, he believed himself to be a deity beyond compare, who had united Carthage’s populace. But the truth will remain forever hidden from all.

  2. In the depths of the Temple of Baal, behind closed chamber doors, belonging to the deity Moloch, Troile stood at the edge of a pit, known as an organ pit, at the center of the dimly lit room. Inside the pit were five children, whose small broken bodies lay haplessly scattered in the blackness, the remnants of the past week’s sacrifice. Flies and other vermin scurried around the bodies. Moloch motioned to the female, not standing too far behind him. With little effort she heaved he large body onto her shoulder and tossed him like the others into the pit. Moloch looked up to catch a glimpse of Troile’s expression, the Baali’s lips curled on the sides to reveal small pointed incisors as a smile broke through his once passive demeanor, watching Troile’s increasing bloodlust.

  3. The man who now was at the bottom of the pit stirred ever so slightly, until his muscular body ached al over as if his muscles were atrophied from long periods of disuse. Near his head lay one of the children, his head spun with lack of blood and he felt a hunger rise in him, only to ravenously close his fangs into the dead body. One by one, he moved around the large pit emptying the bodies with increasing intensity. When he was done he looked up at the figures standing around the pit. He felt like he was in an arena, he bared his fangs at them, hissing like a wild animal. Troile’s fierce gaze roots the imposing man to his spot. Troile leaped down and grabbed the man at the back of his neck and with prenatural speed he sunk his teeth into her newly flushed skin. Troile drank deeply until he held a husk in his arms that crumbled to the ground, leaving tendrils of dust floating the air.

  4. Moloch who stood at the top of the pit smiled for he knew that over these past few decades darkness had taken over Troile’s conscience, allowing Troile to hunger for Cainite vitae.

  5. “My destiny is my own” screams Troile after the Amaranth, black blood all over is face and fangs.” I am free, completely free of my sire, free of the other Antediluvians plotting, even free of the Dark Father and the Dark Mother’s war. I am not doomed to share the same faith of the other fourth generation when Gehenna comes. I am truly a player of the Eternal Game. I am Unbeholden.” Then Moloch smiles and simply replied: “Indeed, my beloved one. Indeed. And so am I”.

  6. Then, after some minor horrors, they depart. The Temple was once again desert, avoid of life or unlife. All was still, all was quiet – except for the barest hint of sound, the shriek of a ghostly wind rushing thought the unexplored caverns far below. Or perhaps it was the insane chortling of demonic laughers.

  7. Maybe it was the Ghost of Troile’s sire smiling thought time and time again. Maybe the wind came from Ashur’s Black Monastery, if Asshur is indeed the real sire of the Baali, I´m not so sure of that... Maybe some other Antediluvian´s chuckling: Malkav perhaps was playing me a simple prank. Or maybe my beloved Father was watching all through my own Third Eye.Blood calls upon blood. And then again, maybe, maybe they´re all watching and laughing. I ‘m not so sure of that… I really don’t know.

  8. What I do know is that both Troile and Moloch are wrong! All Fourth generation, through diablerie or not, regardless of sire, are bound to the original Antediluvians with unbreakable chains. We are all Foolish puppets! We think they have true power, but we only usurp a hit from what true power really came. The salvation doesn’t lies in temporal power. Redemption doesn’t rest in ephemeral power. As the Archangel said to Caine, only in Golconda we will find peace. And only in the Last Daughter we will have freedom.

  9. Beware, my brothers and sister of blood. Beware all Cainites. Gehenna is at sake. Seek for Golconda, seek for the Last Daughter! Do not seek the same mistakes of the past! Do not seek Ventrue mistakes in the Second City. Do not seek Ynosh mistakes in the first city! And truly do not seek Troile´s foulish blood hunger! Beware! Mark the signs, Find Her… Gehenna is coming!"

Ponderações e especulações:

A palavra Ba´al quer dizer senhor, lorde ou sire. Era um termo muito comum naquela época. Por toda a Fenícia, por exemplo, cada cidade tinha seu Ba’al – lorde - ou Ba’ alat – dama - que era cada qual , o chefe urbano máximo e indiscutível. Ba’ alat de Berytus era uma ninfa a qual Adonis se apaixonou; Héracles possuía o título Ba’al de Tyre; já o império mesopotâmico usava o título Ba’al para cada um dos seus deuses, a fim de esconder os nomes de suas divindades dos estrangeiros e dos povos conquistados. Os Israelitas e mais tarde também os cristãos e muçulmanos transformam Baal em Baal-zebu ou Beelzebub (Senhor das Moscas). Já a Igreja Católica também transformou o Baphometh dos Templários em um demônio, quando aparentemente não se tratava de uma divindade , mas de uma idéia, um arquétipo, um dos nomes de Sophia (A Sabedoria) personificada em um ser antigo e escondido dos olhares não iniciados.


Apenas com muitas e extensas pesquisas, nos estudos renascentistas e mais tarde vitorianos, a tradição histórica afirma que Cartago louvava o deus Molocoh como Ba’al Hammon (ou simplesmente Baal). No nodismo, sabemos que Moloch era um dos nomes de um dos chefes (ou o chefe da época) da hoje extinta linhagem de sangue Cainita de infernalista, os Baali. Baal Shaitan.


Três seriam os que saíram do fosso do qual a linhagem teria sido criada pelo mítico Asshur: Nergal, A Inominável (ou o Inominável, dependendo da tradição e se a língua flexiona para o feminino ou não) e, é claro, Moloch.


Portanto, mais do que um título de importância e realeza, Ba’al é um termo para proteger o Nome Verdadeiro de um ser ou divindade em muitas tradições mágicas e religiosas. Segundo essas mesmas tradições, nas mais antigas (Zoroastrismo, Mitraismo, Judaísmo, Yorubaismo, Hermetismo, Vendantismo, Budismo Tibetano...) quando é conhecido, um Nome Verdadeiro de algo ou alguém pode ser usado assim, pode-se ter imenso poder sobre esse algo ou alguém. Isso fica evidente pelo fato de se louvar Baal e não Moloch como divindade principal. Uma tática para se esconder dos mortais e Cainitas empregados pelos malévolos Baali Cartagineses.


Concluímos também que se chamarem de Baali, portanto, mais que uma tentativa de designar um nome de uma linhagem “importante” de senhores das trevas é , possivelmente, um termo para se esconder o Nome Verdadeiro da sua linhagem de sangue. Que segredos os Baali esconderiam? Já foi afirmado que estes Cainitas descenderiam de um Antediluviano conhecido como Asshur ou Ashur ou Az-zur, apesar da própria Rayzeel duvidar disso em seu Périplo, mas deixando isso de lado, vamos aos fatos: Ashur também já foi identificado como progenitor do clã ao qual os Giovanni descendem, o Clã da Morte, os Ashurianos ou Filhos de Capadócio. Seriam os Necromânticos e os extintos infernalistas parentes consanguíneos? Isso seria uma revelação estarrecedora sobre a arte da Nicromancya...


Seguindo esse pensamento sobre a ligação de Asshur e os Baali: A última Lamia, uma Cainita infernalista caçada pela Camarilla dois séculos atrás, teve seu sangue venenoso examinado pelos poderes do Pontifex Saavedra, na época que era que era arconte Tremere Quaesitor, que identificou o gerador de sua linhagem de sangue como um Cainita de nome Lazarus. Também é conhecido no nodismo que Lazarus ou Lamech seria a última cria de Capadócio ou Ashur, ou Asshur ou Az-zhur e que teria ido ao Egito atrás dos conhecimentos antigos dos Seguidores de Set. Mais ainda, ela, a última Lamia, confessou ser uma Sacerdotisa de Lilith, se auto intitulando Bahari. Seria esse termo uma aproximação de Ba´alat Ryr ou Rhea (Grande Deusa ou Mãe em Caldeu e Latim, a mulher de Cronos/Saturno)? Estariam então certos os Inquisidores do Sabá ao julgar as Lilitianas como hereges e infernalistas? Este pensamento é ainda mais aterrador.


Ainda por esse caminho de pensamento: O nome Az-Zur também já foi identificado como o termo de um Cataiano, um dos misteriosos Cainitas do Oriente. O único Membro que se tem notícia de ter tido algum contato com os Cataianos em toda história Cainita segundo a tradição nodista foi Saulot, fundador dos mártires Salubri, inimigos abertos no período da segunda cidade dos Baali, segundo essa mesma tradição. Seria os Filhos de Baal uma linhagem descendente de um inimigo de Saulot advinda do oriente de onde ele visitou em sua peregrinação?


Mais ainda: Porque esse relato foi feito pela Salubri Razyeel, notoriamente o nome de uma cria direta e adorada de Saulot? Estaria ela vigiando os Baali para seu senhor? Seria ela, portanto, uma Guardiã (termo antigo e destinado a misteriosa terceira casta dos Salubri que não os Curadores e os Guerreiros?). Esses mesmos Guardiões estariam então observando os Baali? Ou os excessos de um Membro tão poderoso como Troile? Ou ambos? Os Tremere insistem que os Salubri são infernalistas e seu Terceiro Olho suga a alma dos Membros como fazemos com nossas presas com o sangue mortal. Por isso eles os caçam insistentemente, levando-os a julgamento, assim como já se foram os Baali, os Capadócios, as Lamias e como continuam indo as Lilitianas. Estariam então de fato certos? Ou, como afirma a própria Razyeel no final de seu texto, estamos todos nós, Amaldiçoados pelo Sangue de Caim, apenas seguindo o que nos foi destinado pelos Antediluvianos? Muitas especulações podem ser feitas, é fato, mas a verdade, se é que ela existe, ficará escondida sob o termo Baal.


Outro grande mistério é a suposta aliança de Troile, o antediluviano Brujah - ou o descendente Brujah que realmente diablerizou Ventrue ou seu sire, o verdadeiro Brujah, prenunciando a queda da segunda cidade segundo a tradição nodista da queda de Ur - com o Baali Shaitan Moloch. Apesar de muitos Brujah afirmarem que isto é uma mentira criada pelos Ventrue para ocupar Cartago, alguns outros e diversos nodistas afirmam que sim, Troile e Moloch não só foram aliados como também foram amantes. A tradição cartaginesa diz que a deusa da lua escolheu o deus das estrelas para reinar a cidade e o mundo (sob o olhar atento do firmamento, uma deidade hermafrodita). Seria Troile, como também afirma Critias, uma mulher? “Deusa da lua” seria uma metáfora para designar sua feminilidade ou mais ainda, as mudanças de humor e o excesso de sentimentos humanos contido no sangue dos Brujah, a maldição de Caim sobre este clã? Mas se o líder do culto é Baal, portanto no caso Moloch, porque é Troile que aparece no texto sentado no trono? Zeus e Hera, Osíris e Ísis, Shiva e Shaktí, Tupã, e Jaci, Oxalá e Nanã - todos os deuses pares são sempre masculinos, estáticos, mas são “energizados”, lhes dado poder por uma superioridade de energia feminina, dinâmica. Foi Lilith que abençoou Caim com suas disciplinas, poderes e dons das trevas depois que Jeová o amaldiçoou e a “mais antiga” a abençoou, segundo a Lammia. E sabe-se ainda, segundo a tradição que Baal seria o deus masculino, especialmente para os mortais, mas por trás dele, um poder maior. E para onde teria ido A Inominável? Um texto de fontes duvidosas na biblioteca de meu sire apenas afirmava, como diversas outras fontes já citadas e mesmo na tradição oral e escrita dos Brujah que ela, a Inominável, fora para o oeste em um barco fenício. Teria ido para cá, para o novo mundo? Cincào teria enviado Saavedra para o novo mundo ao meu pedido, atrás de uma pista na capital do novo Império do Brasil, onde supostas pistas sobre evidências da chegada pré-colombiana (e no caso pré-cabralina) de Fenícios foram descobertas. A Missão dele era formar uma Capela (e futuramente uma Comarca) e criar os recursos e exclusividades para investigação, após longa e difícil negociação com o Conselheiro isso lhe fora negado. Muitos Membros e até mesmo Cultos ä Gehenna tem como sede por conhecimento se instaurar em torno de tumbas e locais importantes segundo a mitologia Nodista e, criar esse entorno protegido é uma das suas tarefas, bem como relatar quaisquer atividades e evidências dessa suposta Esfinge Fenícia chamada de “Pedra da Gávea”. Seria ela o destino da Inominável?


Voltando para os dois protagonistas da escrita: Todos os que afirmam que Troile e Moloch eram aliados (e amantes), porém afirmam que Troile nunca gostou dos Baali, mas os via como um “mal necessário”, talvez da mesma forma de como uma vez alguns Ventrue disseram isso sobre os Tremere na formação da Camarilla... Assim como os humanos e Cainitas poderiam andar livremente na cidade, também qualquer linhagem de sangue o poderia fazer em Cartago. Era um preço pela liberdade adquirida. Porém esta ligação entre os dois líderes, segundo alguns Brujah, muitos nodistas e especialmente a propaganda Ventrue Romana, foi longe demais. Estaríamos de certa forma cometendo o mesmo erro aqui na Cidade Livre?


No começo, quando Moloch fazia seus sacrifícios, Troile olhava para o outro lado, não querendo ver as práticas dos cultos dessa linhagem. Mesmo desprezando a presença Baali, com o tempo, diz a tradição, Moloch suspeitou que Troile tivesse um gosto pela diablerie, e encorajou esse aspecto da líder tribal Brujah a fazê-lo. Eventualmente, Troile drenaria outros para apaziguar sua sede, compartilhando seus feitos com seu amado Moloch.


Através dos séculos, se tornou cada vez mais fácil para Moloch convencer Troile de cometer uma série de atos de natureza muito mais perversa. Tudo começou com beber Vitae Cainita, quando o Matusalém Baali convenceu o Chefe Brujah a drenar seus inimigos como uma lição para os demais. Isso piorou ainda mais a sede do Antediluviano. Troile passou então a abraçar vítimas, mantê-las em cativeiro para que desenvolvessem seus dons Cainitas simplesmente para depois drenar-lhes o Vitae. Após algumas décadas, como lemos no relato de Rayzeel, Troile passou a comparecer ao fosso de órgãos e observar enquanto os Baali sacrificavam crianças ante a sua presença e da Inominável. Apesar de nunca participar, ela observava silenciosamente. Existe um manuscrito - recuperado por um arconte Assamita que um Justicar Tremere colocou sob Contrato de Sangue - que Moloch teria afirmado para a Inominável (na presença de sua cria preferida, Tanit ou Talit) que Troile iria aos rituais para verificar se ainda existiria algum resquício de consciência pesada que o impedisse de deixar que as atrocidades cometidas pelos Baali continuassem. Mas pelo visto não havia mais nenhum traço dela. No texto de Talit, os Baali comemoravam a condescendência de Troile como uma das épocas de maior força dessa linhagem. Mal sabiam eles que o Brujah e sua líder eram amantes em laço de sangue.


Quando Cartago finalmente caiu na Terceira Guerra Púnica, o sonho Brujah já havia apodrecido. Troile sofreu o tipo de depressão silenciosa e mais temida por todos os Cainitas que eventualmente leva ao triunfo da Besta Interna e até suas próprias crias mais queridas o abandonaram. Eles fugiram na maioria das vezes por vergonha do que eles mesmos fizeram em nome de Cartago, culpando os Baali e os Ventrue Romanos por sua própria fraqueza, é claro. Mas também, não havia muito que ser feito... Os Baali haviam meramente mostrado a outra face do que o sonho Brujah poderia alcançar, nada menos, nada mais.


Por isso os Membros dos Três Clãs mais influentes de Roma, regidos pelo Ventrue Camilla teriam declarado guerra aos Cainitas cartagineses. A especulação de que tudo seria um golpe da Matusalém Helena na sua eterna busca por Menelau (por mais que se saiba que este de fato esteve em Cartago para alertar sua sire Troile sobre os perigos de se envolver com os Baali) são , contudo, muito exagerados. Teria realmente a Toreador tamanho poder de manipulação para instigar a Pax Romana dos Patriarcas Ventrue, os Dementes Malkavianos e os Magistrados Lasombra contra a corte de Cartago? Os Ventrue escondem em sua propaganda sempre a união com o Clã das Sombras desta época por motivos óbvios. Não querem de jeito nenhum se associar com aqueles que foram teoricamente destruídos na Grande Queda (Revolta Anarquista) e que hoje, seus descendentes bastardos chefiam os anarquistas do Sabbat. Teria sido na verdade a ambição prematura dos Lasombra a causa da invasão de Roma em Cartago? Parece mais provável: Acreditar que Helena tenha influenciado esse episódio é o mesmo que acreditar que ela já o tenha feito diversas vezes ao longo da história, como o boato que ela tivesse instigado os Toreador espanhóis e franceses, os Ventrue da Inglaterra e principalmente os Brujah de Portugal a atravessar o atlântico e “descobrir” o novo mundo para onde ela acreditava que seu amado Menelau haveria fugido. Por isso duvida-se tanto desta especulação, assim como se duvida que Moloch estivesse sendo usado por Troile, e não o contrário. Mas, como foi dito antes, teriam trocado Vitae e feito uma jura de sangue entre si, o que os deixaria prisioneiros um do outro para sempre, até o Tempo do Julgamento. A lenda conta que durante a queda de Cartago, enquanto Troile lutava contra os Cainitas invasores que acompanhavam os exércitos romanos, os Baali ficaram chocados quando viram Moloch lutando lado a lado da Antediluviana. A Fidelidade Sanguínea entre os dois forçara o Mestre Baali a ir para o campo de batalha proteger sua amante. No relato de Tanit está escrito que Troile e Moloch caíram abraçados como enamorados e mesclaram-se à terra como fazem os Gangrel. Os agentes romanos, guiados pelos Ventrue e pelos Lasombra, ainda segue o relato, salgaram a terra e executaram rituais para evitar que “o mal pudesse florescer” e os dois Cainitas pudessem levantar do solo. Os Baali poderiam ter intercedido, segue Tanit, mas Moloch havia se provado fraco e a Inominável já haveria partido. Ele deixou que outro tirasse vantagem de si mesmo; a despeito de seu posto máximo e sua linhagem. Ele portanto mereceu o acontecido, e foi abandonado ao seu destino.


Qualquer de nós pode confirmar que em qualquer cultura espiritualista, primitiva ou avançada, o sal é utilizado como ferramenta mágica para “exorcizar espíritos malignos”. Portanto, se acreditarmos em tudo isso, é possível que os dois amantes estejam até hoje debaixo das ruínas de da Cidade Perfeita. Ou, se seguirmos uma visão completamente especulativa do infame Beckett de Mnemosyne, um atípico malkaviano a cria do grande nodista Aristotle de Laurent, a Inominável nunca existiu de verdade, ela seria apenas a consciência humana do Primeiro(s) Baali, e, portanto, isso sugeriria que Moloch e Troile teriam fugido antes do cerco Romano ao se confrontarem com a dura verdade de sua prisão de sangue aos seus Sire, como a narradora Guardiã e o texto da cria pródiga do Shaitan.


O relato de Tanit ainda sugere que os Brujah antigos desprezam os Baali quase tanto aos próprios Ventrue. Sabe-se que os Brujah eram um clã de reis filósofo e de atitude bastante pacata, meditativa, lógica, quase fria. Teria sido culpa dos Baali, como uma espécie de maldição deles, e não de Caim, como sugere o consenso nodista, que eles passaram a ter uma fúria incontrolável pela perda dos seus idéias com a queda de Cartago. Esses Brujah culpam os Ventrue mas principalmente os Baali pela mudança de sua Fraqueza de Sangue, e os Baali são forçados a concordar. Mas não por pela queda da Cidade Perfeita, e sim por terem prostituído sua ética por poder e legado. “Bem lá no fundo de suas mentes, almas e sangue, os mais antigos Brujah sabem disso” afirma Tanit. “E esse conhecimento , sim, seria a verdadeira maldição que irão pra sempre carregar, uma ferida que por toda eternidade os Baali adorarão salgar quando puderem”.


Também alguns Assamitas afirmam que sua sede de sangue não é uma maldição original, mas sim imposta pela linhagem infernalista na Guerra Baali na Segunda Cidade, baseada na lenda nodista que afirma um ato de diablerie que um “juiz” Assamita teria cometido em uma Toreador de nome Amaranta em Ur.


Isto tudo, como muitos anciões da Camarilla afirmam, não passa de fábulas e mitos, com função educativa para os mais novos. Aprendizados por metáforas de éticas, morais e verdades mais profundas que não podem ser apreendidas pela mente humana ou mesmo imortal de forma direta. Para se manter a ordem, se cria toda uma tradição mitológica e fabulista, como seria o próprio Nodismo, apenas para se reforçar as leis de comando. Muitos afirmam que os Antediluvianos, se é que existiram como se assim conta, foram destruídos pelo dilúvio, ou mais provavelmente por suas próprias crias ainda na primeira ou, na pior das hipóteses, na segunda cidade. Beckett sugere que nos primórdios existiram duas tribos, a tribo do sol (Abel)e a tribo da lua (Caim). A tribo do sol tentou destruir a tribo da lua e a tribo da lua se defendeu, matando o campeão ou o exército da tribo do sol. A tribo do sol passou a fazer de tudo para crescer e se multiplicar, e passou a usar a tecnologia como sua arma. Enquanto a tribo da lua se escondeu nas sombras, se deliciando com o sangue dos abatidos da tribo do sol e passou a invocar os espíritos destes mortos para lhes darem poderes mágicos. Com o tempo, mortais e Cainitas chegaram aos dias modernos. Simples assim.


Outros, deslumbrados estudantes do naturalismo, acreditam que a raça de Caim seja apenas uma evolução humana e, portanto que antediluvianos são pouco prováveis de terem existido como da forma que conhecemos pelo Nodismo. Dentro destes, alguns gargalham com vigor da crença em um Primeiro Assassino, irmão de um primeiro morto, filho de um primeiro homem criado por uma força divina onipresente, onipotente e onisciente. Riem e dizem que os são apenas macacos-vampiros sem pelo, evoluídos dos macacos-mortais sem pelo.





Se isso for verdade ou não, no fundo, não importa. O que importa é o que fazer com a moral desta história. Em diversos momentos um rei ou líder se valeu de conselheiros para seus próprios atos. Alguns bons conselheiros o levaram para grandes caminhos: Arthur e Merlin, Ulisses e Mentor, Caim e Lilith. Outras vezes, maus conselhos o levaram a grandes desastres e a sucumbir a grandes tentações: Arthur e Mordred, Ulisses e Calipso, Caim e a Anciã. A habilidade de um comandante, mais do que saber governar , é reconhecer bons conselheiros, mesmo que esses não sejam belos, vistosos, amigáveis, sedutores, ou que não lhe ofereçam poder por poder, mas sim bons e simples conselhos vindos de fontes improváveis. O que seria de Mithras sem Lorde Camden ou, depois, Valerian e por fim Lady Anne? Miguel o Arcanjo Toreador de Constantinopla perdeu sua cidade depois que esta foi abandonada por seus primogênitos Tzimisce Dracon e Ventrue Caius. Ou ainda os misteriosos, mas certeiros conselhos de Durga Syn para os Fundadores? Rasputin, John Dee, Saint Germain, Constança, Capuccino... Todos os grandes conselheiros sempre apareceram sob a máscara da modéstia, da pobreza, da velhice ou da feiúra, ou ainda debaixo de algum atributo pouco valorizado ou estranho... Fausto teria assinado o contrato de Mefísto se esse não tivesse lhe enchido os olhos de promessas e riquezas? Moloch fez o mesmo com Troile, o idealista dos Cainitas, criador da Cidade Perfeita. Pois por simples ganância ou inocência por um ideal que achamos ser maior que tudo, podemos ser corrompidos e, portanto, mais amaldiçoados do que já os somos, nos afastando de vez de qualquer salvação e redenção...


Rio, 07 de outubro de 1918 Mestre Afonso


Dedicado à memória de meu sire, onde quer que ele se encontre, minha eterna devoção

Arquivado na Biblioteca da Guilda de Barcelona por Redondo de Vasques em 1929

Cópia 3 de 3. "


Este manuscrito foi achado dentro de uma pasta de arquivo com o termo escrito pela caligrafia da Príncipe Ventrue Dana:

“A Inominável e a linhagem Kamakogari: (Senhores da Noite em Tupí)”

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