Crônica: Rio V5 LARP

Atualizado: 28 de Jan de 2019

Ambientação Completa

"É um mundo ... das trevas. O pecado de Caim gera os horrores amaldiçoados que espreitam a noite em busca de sangue dos vivos. Os Membros têm sido uma influência secreta em todas as eras da história humana, tramando uns contra os outros em uma Jyhad sem fim. Sua progênie imortal está entre nós até hoje ... Escondida aos olhos da humanidade ... Por uma elaborada ... Máscara! "

Vampire the Masquerade: Redemption

O Rio de Janeiro do CWOD ERA uma "Free City" e é vista com exotismo e pouca compreensão pelos demais Kindred (Membros) e Cainitas pelo resto do mundo das trevas. Para todos os efeitos era uma cidade regida por um Conselho Lasombra-Toreador com Vampiros a parte das disputas de Seitas, além da presença forte de Independentes, Linhagens e Autarcas.


A cidade passava por eventuais subidas e descidas de poder de Príncipes e Arcebispos mas nunca perdendo seu real poder "livre" da Jyhad. Porém, por volta do final do século 20 vários fatores foram se desenrolando (Ascensão e/ou queda de Anciões/Linhagens, Investida do Sabbat na América do Norte e sua eventual quarta guerra civil, reestruturação da Camarilla pela saída de grande parte do Clã Gangrel, Síndrome do Sangue Fraco, Histeria apocalípticas sobre o Gehenna e misteriosos ataques aos líderes Sabbat (Sabá) na América do Sul, a cidade recebeu uma renovada população de vampiros e algumas discordâncias entre os Anciões do Conselho Carioca fazem a coisa ameaçar a ruir.

Sangue. O poder do sangue é tudo. Ele nos chama, nos nutre e na escuridão faz de todos nós lindas monstruosidades ... Noites modernas Sexies e mortíferos vampiros brincam com mortais como parte de seus pessoais e elaborados esquemas.


Vampiro: a Máscara edição de aniversário de 20 anos (V20) é, em essência, uma mistura das três edições anteriores de Vampiro: A Máscara, deixando seu legado para a tão aguardada Quinta Edição (V5). A atualização se fundamenta fortemente na evolução da ambientação do Mundo das Trevas Clássico (atualizando mais de uma década de progresso cultural) e mitologia (amarrando as pontas soltas das três edições anteriores, ou em algumas vezes a recriando-as), mas se afastando um pouco do final do Metaplot, que se desenvolve como “agnóstico” em algum ponto do final da segunda edição em vez de seguir o final da ambientação proposto pela terceira. Dessa maneira, a ambientação e o sistema de Vampiro: A máscara se reorienta para uma configuração única, aumentando sua compatibilidade e tie-ins com outros jogos como Lobisomem ou Mago, onde as mudanças de evolução da ambientação também se deram.


Levando em consideração que a ambientação de Vampiro tem décadas de existência, é bastante natural que a ambientação tenha se repaginado e atualizado - afinal todas as coisas devem mudar. Depois de vinte anos de mudanças como celulares, câmeras, internet portátil, redes sociais e streaming, nossa sociedade mudou muito, e isso afeta profundamente os Kindred. Em vez de um vampiro hacker espreitando em seu porão, vampiros abraçam a idéia de "tecnologia como moda", integrando-a em seus excessos sensuais e sexuais. A Máscara não é mais protegida por seitas monolíticas, mas por todos os Membros da Família (Kindred) individualmente. Sem poder mais contar com o silêncio como aliado, os vampiros aprenderam a se esconder em plena vista, circulando histórias e seduzindo a todos com Presença e Dominação, para esconder sua verdadeira natureza bestial. A Máscara, portanto, não é mais um Xerife batendo à sua porta, mas uma campanha de difamação na mídia.


Temas principais: tecnologia como moda, conspirações elitistas, a ilusão do status quo, vampiros como criaturas sexuais em seu ápice, evolução em vez de revolução.

Todo esse cenário irá descambar na vinda do Quinta Edição (V5), que trará uma Nova Idade das Trevas e tudo será diferente. E os personagens do jogo vivenciarão essa mudança.


O Metaplot, fundamentalmente, segue as seguintes linhas gerais:


Movimentação dos Ancientes:  Os Anciões dos Anciões, os Vampiros mais antigos influenciam o mundo em seus torpores ou despertam brevemente para manipular diretamente seus clãs, moldando-os estruturalmente em novas configurações. Clãs como Assamitas, Gangrel, Malkavianos, Tremere, Tzimisce (entre outros) sofrem visíveis mudanças de poderes, maldições e/ou estruturas.


Guerra entre as Seitas: Domínios são conquistados ou retomados, o Sabá e a Camarilla se encontram em plena guerra com baixas significativas (e algumas delas por disputas internas) enquanto os Estados Anarquistas crescem pelo mundo ocidental. Os cultos à Gehenna organizados por anciões caem e novas organizações minoritárias ascendem entre os vampiros de linhagens de sangue e neófitos.


Maquinações dos Independentes: Os Setitas, Giovanni e Assamitas encaram as ações e consequências de seguirem (ou rejeitarem) as agendas de seus ancestrais. Artefatos escondidos ou perdidos ganham suma importância, enquanto a guerra no Oriente dos Ravnos contra os Cataianos leva o clã a catástrofe.


Sinais da Gehenna: Chega a o Tempo do Sangue Fraco, enquanto os nodistas em suas Seitas procuram pela mulheres com a marca da lua crescente. Os Sinais do Livro de Nod se concretizam de formas imprevisíveis. Uma Estrela Vermelha surge nos céus e some. A Camarilla passa a ter que admitir certas verdades enquanto o Sabá passa a duvidar de suas crenças. O Fim do Mundo existe mas ainda está em curso....


Fragmento de relatório do Arconte Praetor Frederico Di Padua dos Nosferatu (Justicar Petrodon) sobre o Rio de Janeiro para o Arconte Pascek dos Brujah (Justicar Carlak) em novembro de 1988.


“(…) Muitos vampiros das mais variadas origens migraram para o Rio: os inúmeros turistas garantem que a alimentação no Rio seja farta e praticamente sem esforço. Ainda que a elegante sedução dos inocentes falhe, vampiros de paladares menos exigentes sempre poderão ir até as comunidades miseráveis da cidade e arrastar vítimas anônimas para fora de suas pobres casas.


Enquanto grande parte da América do Sul é dominada pelo Sabá, com algumas cidades fortes da Camarilla ou centros de Independentes, o Rio de Janeiro se declara uma “Cidade Livre”, como Sidney na Austrália, onde a Torre de Marfim e a Mão Negra não entram em conflito aberto e todos os Membros são aceitos e recebidos com festas e festejos. Para os vampiros turistas, essa neutralidade é chamada de Carnaval. Aparentemente, após séculos de luta os representantes dos Lasombra e Toreador,decidiram decretar paz e fazer fortuna em cima da cultura e mercado da extração de minério, escravos etc.


A variedade de Membros no Rio de Janeiro é quase sem precedentes, e você

precisa saber ser orientado por onde ir (e principalmente por onde não ir). Os membros do Sabá podem ser monstruosos nas favelas enquanto a Camarilla domina as boites, casa de shows, praias, clubes e hotéis... Sendo assim os Lasombra e Toreador ainda dominam no Rio. Suas áreas de atuação são bem demarcadas pelo estilo e elegância de algumas regiões e as áreas mais mais sóbrias e violentas da urbe. Os Amigos da Noite e as Guildas são, de fato, os mais influentes no jogo de poder da cidade. Os Brujah também andam em abundância, alguns são descendentes de escravos ou remanescentes das resistências aos Regimes Ditatoriais mortais, enquanto outros são atraídos pelos ritos da santeria do Rio e pelos cultos de sangue subversivos. Malkavianos assombram as ruas noturnas, e seus excessos são ignorados pelo rebanho festivo; Os Tremere se escondem nas sombras, espionando e vendendo seus serviços; Setitas sibilavam pelos becos, oferecendo diversão para satisfazer a todos os gostos; e até mesmo Assamitas podem ser encontrados aqui, como assassinos ou como estudantes de artes marciais como a capoeira e o jiu-jitsu brasileiro. Aqui um Membro pode contratar um Tzimisce para esculpir seu amante dos sonhos, ou um devoto católico Lasombra pode rezar na frente da Estátua do Cristo Redentor ao lado de um Gangrel de fé protestante escocesa.


Na minha opinião tudo isso é uma grande Máscara, mas, de qualquer forma, acaba por facilitar acesso a muitas informações sobre o Sabá e Anarquistas de fora da cidade. Sugiro uma investigação maior, com a possibilidade de se recrutar ou infiltrar um espião permanente nesse domínio.”


Carta da Cavaleira Templária Inquisidora Mercy para a Grã Inquisidora Maria Maio de 2003


“É uma cidade bastante diferente de todas as outras que já estive, mas é a cidade de onde vim, antes de ser Batizada em Sangue de fato e me considerar uma verdadeira Sabá. Ninguém de verdade sabe como o Conselho Lasombra-Toreador funciona mas, obviamente, muitos estereotipam e estão desinformados sobre a forma pela qual os Cainitas desses dois clãs operam na cidade. Além disso, existe uma quantidade enorme de vampiros das mais variadas procedências entre as regiões com as maiores diferenças sócio-econômicas..


Considero um equívoco enviar inquisidores para investigar os diversos cultos e manifestações espirituais modificados pelos Cainitas locais para servirem aos seus propósitos. Meu conselho é que apenas quando heresias cainitas e infernalismo forem sanadas, investiguemos os fenômenos espirituais em que os Sabá locais estejam envolvidos e, assim, quem sabe, isso seja o estopim para uma Cruzada para afastar de vez os servos dos Antediluvianos e Independentes da minha terra natal.


Por fim, soube que o Arcebispo Gratiano esteve por lá, tomando o arcebispado da cidade para si. Quem sabe ele não poderia voltar e se estabelecer lá de uma vez por todas?


Das anotações de Aristotle de Laurance dos Mnemosyne


(...) Além dos 13 Clãs e os Caitiff, América Latina é atualmente a terra de exóticas linhagens de sangue que curiosamente só passaram ganhar alguma visibilidade real no período moderno, porém, muitas delas, afirmam serem originárias de períodos pré-colombianos.


A primeira linhagem que vem à mente quando pensamos nessa região é, obviamente, os horripilantes Samedi, com evidências que sugerem se tratar de uma variação dos Nosferatu associada ao Vodu que surgiu a cerca de 250 anos no Caribe, se espalhando não só pela América Central e Sul mas também pelo sul da América do Norte, e rumores de que o Barão Samedi seja mais antigo que parece começam a circular entre os mais atentos nodistas.


Do Haiti, em foco a segunda linhagem que parece ter nascido lá, há 70 anos atrás, os Serpentes da Luz, os “Setitas antitribu” considerados hereges pelo seu clã de origem por também por se associarem ao Vodu e a Wanga. Sua história, entretanto, parece ser mais antiga e remonta a raízes africanas (que não da região do Egito), o que sugere de fato serem uma linhagem e não um clã. Eles também se espalharam pelas Américas, se tornando uma pequena fonte de poder entre os Sabá.


Já a Família Pisanob do Clã Giovanni, apesar de ter uma origem Mexicana, se disseminou pela América Latina adotando os sistemas nativos para sua prática de Necromancia e é, naturalmente, outra linhagem de sangue, apesar de completamente integrada ao Clã.

A misteriosa linhagem de sangue dos Gangrel de suposta ancestralidade asteca conhecida como Tlacique abraçava apenas nativos, se transformando em jaguares das florestas tropicais em vez de lobos e praticando uma misteriosa forma de Magia de Sangue que parece ter sido extinta e sua existência completamente esquecida. Por outro lado a linhagem urbana dos Gangrel da Cidade Antitribu parece florescer bastante nas grandes metrópoles latino-americanas. Pouquíssimos Gangrel Marinhos foram identificados nas costas e cidades praianas.


É interessante notar também que uma grande quantidade de Toreadores Antitribu, especialmente na América do Sul, adotaram a Vicissitude dos Tzimisce como uma quarta disciplina, bem como alguns Ventrue Antitribu se valeram também desta forma dos Auspícios, o que podem pressupor linhagens bem específicas. Embora a arte do Misticismo do Abismo seja relegada a pouquíssimos Lasombra (e menos ainda aos Lasombra Antitribu) o desaparecimento dos Tremere Antitribu trouxe o estudo da Feitiçaria Koldunica como uma forma de compensação pelos Tzimisce e outros ocultistas do Sabá.


E, assim como no resto do mundo, no Rio Malkavianos também foram infectados pela Demência, Assamitas das três castas migraram para cá, Ahrimanes e Gárgulas para os territórios mais adequados para receber Independentes, e os Precursores dos Ossos e Salubri Antitribu nos territórios Sabá... Porém quase não é identificada uma forte ou mesmo qualquer unidade, apenas indivíduos esporádicos das Filhas da Cacofonia, dos Kyasid, de Membros dos Ashirra, e muito menos qualquer sinal das míticas linhagens Laibon, Maeghar, Filhos de Osíris... Alguns Nosferatu, porém, além de sempre contarem boatos sobre seus fabulescos inimigos Niktuku também contam, especialmente na América do Sul, lendas e histórias de outras linhagens pré-colombianas que estariam assombrando os vampiros dessa região.


Em verdade nada se sabe de fato a esse respeito, a não ser que muitos Cainitas importante do Sabá e alguns poucos mas poderosos Anciões dos Membros da Camarilla e dos Independentes têm, eventualmente, sumido ou encontrados destruídos por alguma misteriosa força das trevas ainda não identificada...


SchreckNET


De: Cara_D_M@schreckNET.nod

Para: eyeonyou@schreckNET.nod

Assunto: RE:RE:RE: Quem pula o Carnaval?


Estimado Okulos,


Depósito recebido. Seguem portanto, conforme acertado, as informações que você pediu sobre a Cidade Livre, o Conselho Lasombra-Toreador, as Seitas e os Clãs no Rio de Janeiro, bem como algumas das figuras que você me perguntou…

Você vai ter que achar um bom tradutor de português porque já foi muito difícil pra mim entender toda a sua conversa anterior e, pior, traduzir os três documentos que você me enviou no google tradutor. De boa, escrever em inglês não fazia parte do acordo. Portanto: boa sorte!


Vamos já de cara desmistificar algumas informações erradas do primeiro documento do Arconte Di Padua e das perguntas que você fez: Sim, existe uma aliança protagonizada por esses dois clãs que vem lá da época do Império, sim, são uns caras bem antigos, em sua maioria, que se reconhecem como tendo sido abraçados antes das duas seitas (e dos Estados Anarquistas nos States), e sim, é claro, é óbvio que grandes anciões famosos dos dois clãs como Monçada, De Corazón, tiveram alguma influência na vinda e estabelecimento desses caras por aqui, bem como na sua guerra inicial e tal, e quando eu digo tudo é tudo MESMO está errado no que você informou saber deles.

Apesar da maioria deles serem anciões desses dois clãs existem outros Membros (e Cainitas) que fizeram ou fazem parte deste grupo. Outros Clãs (inclusive Independentes e Antitribu) também povoaram ou ainda povoam esse Conselho. As coisa mudaram um pouco de nome com a vinda da nova (novo, novo, novo, nova...) Príncipe, mas isso eu explico mais pra frente. Basta você saber que o nome Lasombra-Toreador já é, de cara, uma Máscara de Carnaval.


Se você quer os nomes dos atuais Conselheiros, bom, ai vai ser necessário 10 vezes mais dinheiro, pois esse nomes parecem ter uma espécie de alarme que, quando ditos ou até escritos, revelam quem o fez. É sério, a macumba de sangue desses caras é O poder. E esses caras já estão de olho morto-vivo em mim, se é que você me entende. O Conselho nem sempre está completo e nem sempre concorda em tudo, e muitas vezes alguns deles nem sempre seguem as deliberações a risca, porém, assim mesmo, eles conseguem chegar em consensos na maior parte das vezes e por isso “coexistem harmoniosamente”. Entretanto essa convivência pacífica não quer dizer que “Os membros do Sabá podem ser monstruosos nas favelas enquanto que a Camarilla domina as boites, casa de shows, praias, clubes e hotéis.” Não, isso é totalmente estereotipado e errado! o certo seria "O Clã das Sombras dança pela Alta Sociedade enquanto o Clã da Rosa habita entre as massas numerosas, juntamente com os outros Clãs etc." Inclusive essa é uma informação bastante preciosa, existem Toreador antitribu nas fileiras da Espada de Caim Carioca bem como Lasombra antitribu na Torre de Marfim do Rio também. Segura essa informação porque vou voltar a ela.


Bom, falei um pouco desses dois clãs (e seus anti-clãs), vou tentar passar uma pincelada nos demais, apesar de que você precisa manter em mente que veio de tudo e mais um pouco pra cá: Existem vampiros muito diferentes mesmo sendo tendo o mesmo Antediluviano como ancestral!


Vamos começar pela Camarilla: É lógico que não existe nenhum Membro que seja, na prática, um fervoroso e ardente defensor fundamentalista da “Velha Camarilla”, mas todos aqui acabam por respeitar e defender a Máscara e as Tradições, de alguma forma, são tão impostas como em qualquer cidade de grande porte da Seita. Conheci de fato alguns Brujah descendentes de escravizados abraçados, mas também encontrei de muitas outras origens. Aqui dificilmente você vai achar vampiros cultuando uma Santeria vampírica especificamente, deve ser o que o Frederico entendeu que eram os cultos de origem afro-brasileira (Umbanda, Candomblés, Culto de Ifá...) que alguns Brujah, bem quase todos os clãs aqui deturpam e fazem suas próprias manifestações e rituais. Já os Malkavianos de fato extrapolam nas partes festivas da cidade, porém são tão discretos e soturnos (ou ao menos sabem apagar bem seus rastros) como poucos. Aliás existem tanto os que já tinham Demência, os que adquiriram e os que não foram infectados. Nós Nosferatu cariocas somos abundantes mas acabamos por lidar mais com trocas externa de informações do que com as coisas daqui especificamente, pelo simples fato de haver realmente um grande esforço do Conselho de apagar seus mistérios e segredos com muita violência e sangue (e um toque místico bem poderoso, como já expliquei). E aqui sempre foi muito mais um território de poucos mas poderosos Ventrue, lidando diretamente com as fontes de poder mortais dos Lasombra e Toreador de forma muito cautelosa. É claro que tudo mudou com a chegada da você-sabe-quem, mas vamos em diante. Ah, os Feiticeiros, pois é, eles sempre foram pouco numerosos aqui, os poucos que se estabeleceram no passado foram embora e os que aqui ainda ficam são muito mais ocupados com a espiritualidade do carioca e da cidade em si (e de suas florestas, locais de poder etc) do que se preocupar em manter-se como força política, mas sim, dá pra contratar um serviço ou outro deles, mas não é tão fácil achar eles espreitando nas sombras das ruas, não, alias, não mesmo! Os Caitiff, bem, eles adoram a liberdade do Rio, mas a Camarilla não costuma dar muita importância pra eles, não, é uma pós-vida mais autarca ou anarquista, mesmo.


Já o Sabá, apesar de bem numeroso, quase todo é composto pela facção dos Moderados e alguns poucos Status Quo e Ultra-Conservadores que fazem vista grossa pelo território. A riqueza espiritual do Rio atrai alguns Koldun Tzimisce e aqui é um centro de encontro das famílias-carniçais deles. Já os Antitribu, Panders e Linhagens Sabbá povoam a cidade de forma descomunal. Há quem diga que existam mais Toreador antitribu que seu clã, e, conquanto isso não se dá com os outros, eles são realmente numerosos. Eventualmente, quando ficam mais poderosos, são enviados para áreas onde de fato podem exercer sua guerra contra a Camarilla do jeito que a Seita melhor entende. Ah, existia uma Capela Tremere Antitribu mas ela foi destruída após o sumiço deles.


Quanto aos Independentes e tudo mais: Aqui sempre foi um ponto de encontro para os Assamitas fecharem contratos pelo resto do país (e às vezes pelo resto do continente e mundo), mais do que se interessarem por estilos de lutas locais. Gangrel são um clã que povoam as matas, morros, parques e florestas cariocas, muitas vezes sem sequer aparecer em elísios ou reuniões sociais, ao se tornarem Independentes o clã simplesmente deixou de interagir com os demais Clãs urbanos, mas isso não quer dizer que eles não estejam por aí. Os Giovanni e Seguidores de Set são bem numerosos e poderosos na América no Sul e apesar de possuírem poucos representantes no Rio são sempre uma força independente a ser reconhecida e temida. Os Giovanni possuem muita ligação com a cultura espiritual carioca intrínseca em suas crenças, simpatias e mandingas, já os Setitas desfrutam com muito sucesso do hedonismo e decadência da cidade.


Vários outros Chupa-Cabras passaram pelo Rio, de Linhagens e mesmo autarcas desses grupos, totalmente neutros às políticas e modos internacionais, onde o Rio é um paraíso para experimentar o contato com os mainstream das duas Seitas e Independentes. A fauna vampiresca carioca, é, por fim, algo que vale um profundo estudo seu e dos seus aliados. Samedi sempre vieram pra cá mas nunca se estabeleceram, já houve uma Filha da Cacofonia mas parece que ela se mudou para um Principado europeu, enfim, não vou enumerar tudo que é diferente porque aqui no Rio tem de tudo, mas só vendo pra crer.

Uma grande vantagem que o Rio tem sobre outras capitais da América do Sul: Aqui esse negócio de gente do Sabá e independentes desaparecendo não tá rolando, não.


Bom, como te falei, chegou uma Arconte aqui uns anos atrás e ninguém de fato sabe como mas ela unificou a cidade na Camarilla, botou todos os Anciões que eram Conselheiros antes e outros que não eram num novo Conselho, distribuiu cargos, renegociou territórios e tudo mais que você possa imaginar. A menina se auto-nomeou príncipe e, cara, de verdade, essa se tornou uma das mais eficientes das cidades da Camarilla que eu já vi. O Rio pros mortais tá uma bosta, mas pros Membros não poderia estar melhor.


Por fim, por enquanto é isso. Aguardo mais envio de dinheiro para dar mais informações. Já te adianto que posso fazer um preço camarada apenas pela Príncipe "Dana", o resto eu realmente não consigo te ajudar, não.


Saudações Rubro-Sanguíneas

Cara de M.

Breve história dos Vampiros do Rio de Janeiro By Night (Free City)

Tempos Pré-Cabralinos e Período Pré-colonial


Não se sabe de vampiros de fato antes da chegada dos portugueses no Brasil e muito menos no Rio. Lendas sobre Gangrel que viajavam com os Vikings e Fenícios (ou mesmo antes disso) só são conhecidas em suas próprias reuniões de clãs (Althings) por eles mesmos. Embora existam linhagens ameríndias, as lendas dos nativos que poderiam apontar isso se perderam com o extermínio dos povos.


As Capitanias, França Antártica, Capitania Real , a prosperidade carioca do Século XVIII e Capital do Vice-Reino


Rumores dão crédito aos investimentos e influências do Arcebispo de Milão Monçada dos Lasombra para a expedição de Gonçalves Coelho que chegou em primeiro de Janeiro de 1502 na Baía de Guanabara. Se de fato foi assim ou não, não se sabe.


Por três séculos nenhum registro existe de algum vampiro europeu que tenha se estabelecido nesta região, apenas histórias de Gangrel abraçados por Membros que passavam pelas matas ou da chegada, saque e partida de Bandos Nômades do Sabbat Ibéricos (como os Navegadores , bem como mercadores independentes). No entanto diversos episódios históricos da cidade e do estado são possivelmente obras de lacaios atuando sobre a influência distantes dos Amaldiçoados de diversas procedências, mostrando já tanto um real interesse dos Toreador (e da Camarilla), dos Giovanni e Setitas dos Independentes na região e futuro porto quanto os próprios conflitos entre os Lasombra do Sabbat.


Há quem suponha que uma pré-aliança entre os Degenerados e os Guardiões tenha começado exatamente na exploração do Ciclo do Ouro e o tráfico negreiro, o qual o Rio tem papel fundamental, tanto administrativo como pelo seu porto; portanto é bastante plausível que carniçais já operassem neste território ativamente. Histórias sobre um ibérico que teria sido abraçado por algum Gangrel passante na época da Bandeiras e assombrava as cercanias da cidade circulam por todo esse período.


Chegada da Família Real, Capital do Império, Revolução do Porto, Independência, e Município Neutro


Não se sabe se todo o crescimento do Rio teria sido um planejamento para a chegada de Membros na cidade juntamente com a Corte Portuguesa ou se realmente vieram junto assustados com tomada da Península Ibérica por Napoleão (sob a influência do Príncipe Villon dos Toreador). O fato é que a cidade passa a ganhar estrutura para comportar uma pequena população de Membros que vão chegando, das duas Seitas e alguns independentes, alguns com a própria corte, outros na sequência.


Os Toreador Portugueses conseguiram a assistência de suas contrapartes dos domínios ingleses de Mithras e afirmaram uma aliança implícita entre os membros do clã da Rosa de Rio e Londres, o que serviu de triunfo para a futura aliança com os Lasombra. A chegada da corte portuguesa também marca o fim da Primeira Guerra Civil do Sabbat e serviu para que os Lasombra estruturarem suas mãos sobre as influências locais sem mais conflitos internos tanto nos novos nobres brasileiros como nas forças armadas e igreja.


A versão do Rio de Janeiro no Mundo das Trevas tem uma ampliação urbana maior (e mais sombria) que na história real. Porém por algum tempo, muitos Membros da Camarilla Ibéricos (especialmente dos Brujah) e alguns Antitribu do Sabbat Português retornam para Portugal. Na sequência, a Revolução Liberal do Porto promove novas retornos e migrações no mundo vampírico junto com a volta da corte portuguesa e, logo depois, o Dia do Fico e Independência Brasileira. São dessas épocas tanto o primeiro Bispo de um Refúgio Comunal do Sabbat como o primeiro Príncipe e seus Primogênitos da Camarilla Carioca a serem reconhecidos pelos Cainitas e Membros de ambas as Seitas, emancipados de suas hierarquias europeias.

Ali também começa uma guerra fria sutil entre entre a Camarilla e o Sabbat,, apesar das evidências das alianças Toreador-Lasombra já serem bem fortes. A famosa Pax Vampírica tem sua gênese por volta da época em que o Município do Rio de Janeiro passa a ser considerado Município Neutro.


Ascensão e Queda do Ciclo do Café, Revoltas externas e Abolição


O local passou a comportar uma Camarilla bastante liberal e com visões bem heterodoxas das Tradições (com exceção da Máscara) enquanto o Sabbat passava a ser constituído grande parte pela facção dos Moderados e alguns poucos Legalistas e Status Quo. Arcebispos, Bispos e Príncipes e Primogênitos eram empossados e destronados na mesma proporção que o poder mortal variava de governador, sempre regado de uma dose de violência, portanto é forçoso dizer que não haviam conflitos entre as Seitas, mas os empenhos nos bastidores especialmente dos dois Grandes Clãs mantiveram a Pax Vampírica que os enriqueceu e forjou seu poder.


É nesta época que a política vampírica começa a ser chamada de Carnaval perante os olhos do Membros e Cainitas estrangeiros e será a gênese do conceito da Cidade Livre. Estas Diversas revoltas promovidas, junto com o fim da mão de obra escrava pelo mundo fez com que os dois Clãs se unissem, até que por fim tiveram que ceder às pressões e seus modos retrógrados (Lasombra) para com os mortais e liberais para com os vampiros. Inclusive os Lasombra se vangloriam de serem os cabeças de muitas repressões e levantes militares ao longo da história.


No entanto, nenhuma repressão pôde conter a abolição. A Abolição acerta em cheio a supremacia econômica da aliança e é uma das primeiras vezes que Pax Vampirica estremece. Os Guardiões se vangloriam de influenciar a Proclamação da República, fato que na verdade nunca foi confirmado, bem como o banimento da Família Real para a França de Villon como represália contra os Degenerados. Mas, para o azar dos Lasombra, começa a Segunda Guerra Civil do Sabbat.


Primeira República, República das Espadas, Política dos Governadores, Política do Café com Leite, Revolução de 30, Fim da Velha República, Segunda República e o Estado Novo


Mesmo voltando logo a se tornarem aliados novamente, os Toreador negam a bravata dos Lasombra em sua “mão invisível sobre Deodoro” e da Primeira Ditadura Militar do Brasil. O Fato é que a crise econômica fluminense manteve a aliança dos dois Clãs bem tênue. O crescimento dos demais (ou reerguimento de alguns) Arcebispados Sabbat, Principados Camarilla e domínios dos Independentes de todo Brasil começou a se dar nesta época enquanto a política de Carnaval dos vampiros carioca tenta se reestruturar, perdendo muitas de suas influências e soberanias nacionais fora da cidade pelo oportunismo dos demais anciões brasileiros.


A cidade passa por um período de decadência, com um esvaziamento socioeconômico e a perda da identidade da população carioca. Muitos Toreadores relatam ter entrando em torpor durante esta época, responsabilizando os outros Clãs, o Sabbat e especialmente seus aliados Lasombra por esse período de decadência. Os Guardiões negam as desculpas dos Degenerados e apontam a Segunda Guerra Civil como um fator de desestabilização.